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Você sabe como funciona uma ETE industrial?

ETE
Foto: Coden

Estação de tratamento de efluentes industriais, também conhecida como ETE, mantém o equilíbrio ambiental e pode ser uma ótima saída à construção sustentável

Quando o tema é tratamento de água e esgoto, é comum ligar a prática ao reúso residencial ou corporativo em projetos de construção civil. Mas e no que se refere ao tratamento de efluentes industriais, qual a importância e atuação da tão comentada ETE? Como ocorre sua conexão com o nosso setor? E quanto à relação custo/benefício de uma estação de tratamento industrial, vale a pena o investimento? Abaixo, reunimos respostas a essas e outras questões.

Para entender melhor o que é uma ETE industrial, conversamos com Diógenes Del Bel, diretor setorial de efluentes da Abetre – Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes. Segundo ele, os efluentes gerados nos processos industriais quase sempre apresentam características impeditivas para seu descarte direto em corpos d’água ou em redes coletoras de esgotos. E é aí que entra o trabalho das estações.

 

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Diógenes Del Bel, da Abetre

“A ETE é uma instalação que remove os contaminantes e modifica as características dos rejeitos de modo a permitir seu descarte ambientalmente adequado e em conformidade com a legislação local. ETEs industriais reúnem uma combinação de processos físicos, químicos e biológicos, cujo grau de complexidade tecnológica depende das características dos efluentes que recebe e do regime de geração e suas variações de vazão”, explica Del Bel.

 

Vantagens para os mais variados fins

Não é preciso ser especialista para perceber que o acondicionamento, transporte e descarte inadequados dos resíduos de uma indústria podem ser fatais. Sem o tratamento correto em uma ETE, os rejeitos afetam gravemente a natureza e a saúde de humanos e animais, tornando-se crime ambiental; causam o afastamento de mão de obra e clientela, cada vez mais preocupadas com questões ecológicas; e ainda levam empresas a perderem possíveis financiamentos públicos.

Para o executivo da Abetre, a água de reúso pode ser uma opção sustentável a qualquer atividade, sobretudo à própria indústria geradora. Por meio de ETE particular ou de serviços especializados prestados off-site ou on-site e desde que obedecidas as resoluções CNRH 54/2005 e Conama 430/2011, uma fábrica pode tratar sua água destinando-a para:

 

  • Propósitos urbanos em geral, como obras de construção civil, irrigação paisagística, lavagem de logradouros públicos e veículos, desobstrução de tubulações, edificações e combate a incêndio.
  • Fins agrícolas e florestais, dentre eles produção agrícola e cultivo de florestas plantadas.
  • Implantação de projetos de recuperação do meio ambiente.
  • Processos industriais, como suas próprias atividades e operações.
  • Aquicultura, com a criação de animais ou cultivo de vegetais aquáticos.

 

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Comparação visual da qualidade do tratamento em ETE industrial. À esquerda água potável, à direita água de reúso – EEA

 

No entanto, Del Bel destaca que, embora potencialmente haja um vasto campo de aplicação para a água de reúso de origem industrial, na prática ele se torna limitado em função de determinados custos e da gestão. “A efetiva adoção de uma ETE depende da combinação dos fatores custo de produção, logística e custo de transporte, disponibilidade e custo de outras fontes de água e, claro, de diretrizes legais”.

O diretor também lembra que “para reduzir os impactos ambientais o primeiro passo é sempre adequar o processo de produção, de modo a gerar resíduos em menor quantidade e com maior qualidade, ou seja, com características mais próximas dos padrões de lançamento”. Em sua opinião, no tratamento dos efluentes industriais, é preciso assegurar eficiência no cumprimento dos padrões ambientais e economicidade, atividade essa bastante especializada.

 

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A gestão de engenharia de uma ETE contribui com o atendimento às leis e reduz consideravelmente diversos gastos – EEA

 

Detalhes técnicos de uma ETE industrial

Para um tratamento e reaproveitamento apropriados das águas provenientes de indústrias, de forma a eliminar os elementos químicos nela depositados, é essencial realizar um estudo de fluxograma do processo produtivo, uma vez que de nada adianta fazer uma ETE de reúso se não tiver onde efetivamente reutilizar a água. Isso quem afirma é Emerson Marçal Júnior, diretor técnico da EEA (Empresa de Engenharia Ambiental), uma das mais tradicionais em saneamento do Brasil.

 

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Emerson Marçal Júnior, da EEA

De acordo com ele, o recomendado é que esta primeira etapa ocorra em conjunto com o projeto da fábrica. “Decisões sobre a área necessária, o distanciamento de empreendimentos vizinhos devido ao cheiro, tamanho e qualidade do corpo receptor, tipo de material possível de ser usado na construção e possibilidades de reúso devem ocorrer antes mesmo de se comprar o terreno, pois afetam diretamente o custo da operação da ETE e podem, consequentemente, afetar o custo do produto e a viabilidade da fábrica”, observa Júnior.

Já para o funcionamento da ETE, há diversos tipos de reatores industrializados escolhidos de acordo com a característica do efluente e necessidade do cliente. “A EEA executa um pré-projeto da estação e define o tipo de processo que melhor se encaixa no empreendimento, seja ele relacionado à qualidade ambiental, custo de implantação e de manutenção. Existem, ainda, inúmeros processos, dentre eles: físico-químicos, biológicos, aeróbios, anaeróbios, batelada, fluxo contínuo, reatores de leito fixo, leito fluidizado ou expandido, manta de lodo etc.

 

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Empresa Norac do Brasil, com ETE industrial compacta da EEA. Reator UASB+FAS de tratamento físico-químico – Divulgação

 

Em vídeo exclusivo, a empresa explica como funciona um de seus reatores, próprios para utilização tanto em uma estação de tratamento de esgoto quanto ETEs de resíduos industriais. Confira:

 

 

É importante entender que, a depender do caso, o efluente industrial pode demandar apenas tratamento para remover a matéria orgânica, mas também pode ser necessário um método mais completo. “Sistemas para indústrias galvânicas, tinturaria, remoção de óleo solúvel e tantos outros podem necessitar de uso de produtos químicos que são fundamentais para o atendimento da legislação ambiental, por exemplo”, afirma o diretor da EEA.

Se você se interessa pela instalação de ETEs para tratamento de efluentes industriais, continue acompanhando os boletins semanais do TEM Sustentável. Em breve, produziremos outras matérias especiais com mais detalhes sobre seus custos, ganhos e o mercado nacional.

 

 

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