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Escritório paulista é referência em projetos de arquitetura sustentável

Projeto de arquitetura sustentável - School of Architecture
Projeto de arquitetura sustentável – School of Architecture

Escritório paulista é referência em projetos de arquitetura sustentável

Aqui no Brasil, pode-se considerar recente o conceito de arquitetura sustentável e a adoção de mais práticas de sustentabilidade na construção civil, bem como em projetos de casas, edificações comerciais e decoração. Mas nem por isso se anula o fato de futuros profissionais ou mesmo arquitetos já experientes terem como premissa de seus trabalhos técnicas que resultam em uma construção sustentável. Pelo contrário: hoje, arquitetura moderna é sinônimo de compromisso ambiental, responsabilidade social e consciência econômica.

Com base nessa nova realidade, tem se tornado concreto o desejo de quem pretende tirar do papel projetos de arquitetura e urbanismo mais sustentáveis. Isso graças à oferta cada vez maior de materiais para construção ecológicos, técnicas atualizadas, modernas plataformas de criação de projetos arquitetônicos, sistemas construtivos inovadores, e por aí vai. O lado bom é que essa mudança de hábitos e visões não parte apenas dos que são da área, mas também de consumidores finais empenhados em reduzir os impactos ao meio ambiente e à economia.

Foi pensando nisso que, após conhecer o Edo Rocha Arquiteturas, escritório de arquitetura paulista referência na criação e execução de projetos corporativos sustentáveis, o TEM Sustentável preparou uma entrevista especial com senhor Edo Rocha, diretor-presidente da empresa. Seus conhecimentos, vivências, trabalhos e opiniões não só servem de exemplo às futuras gerações do setor de arquitetura e construção, como inspira moradores e empresários a praticarem a sustentabilidade em todos os aspectos de suas obras. Acompanhe!

 

Sr. Edo Rocha - APERAM - Tanio Marcos
Edo Rocha – APERAM – Tanio Marcos

 

TEM Sustentável: Para o senhor, quais são as vantagens de uma construção sustentável em relação a construções convencionais?

Edo Rocha: Na minha opinião, a sustentabilidade não é um objeto de marketing para se ter vantagens econômicas em relação ao mercado. É uma visão conceitual de princípio, em que ela ou a inteligência dos serviços e projetos faz parte do conceito do próprio empreendimento. Seria uma irresponsabilidade achar que isso é apenas uma vantagem comercial. Na maior parte das vezes, quem se beneficia com um edifício com padrão sustentável não é o incorporador, mas o usuário. É ele quem vai ter vantagens na economia de água e energia e serviços de um prédio verde. Porém, é o meio ambiente como um todo ou o efeito global que na verdade agradece essa tomada de atitude. Infelizmente esse movimento veio um pouco tarde, quando o dano ao planeta talvez já esteja fora de controle. Mas a ideia é que com a normatização dos edifícios verdes ocorra a diminuição das emissões de CO2, tanto na fabricação de produtos que integram a construção como na arquitetura propriamente.

 

TEM Sustentável: Tendo em vista esse cenário, quais são os processos envolvidos em um projeto de arquitetura sustentável?

Edo Rocha: Acredito que principalmente a conservação de energia, seja ela física ou humana, em suas variadas possibilidades. Uma das mais importantes fontes de energia é a água, ou seja, o uso racional e a conservação de água potável é primordial para um edifício ser considerado sustentável. Para tanto, são primordiais a coleta de água de chuva, o reuso da água cinza para bacias, mictórios e lavagem, e o uso de equipamentos, bacias, pias e mictórios com controles do uso da água. Em grande parte dos projetos de arquitetura da Edo, elaboramos um planejamento para o tratamento do esgoto e reuso da água. Na época em que construímos o edifício para a sede da Serasa, por exemplo, ainda não existia no Brasil o sistema de certificação do Green Building Council, no entanto, o prédio já era praticamente um grau Platina. A água tratada, além de ser reutilizada, foi colocada em um aquário com peixes. Já na conservação de energia humana, conquistamos a qualidade ambiental do projeto com a qualidade do ar, a utilização de materiais de baixa agressão ao meio ambiente, o conforto dos espaços e a priorização do bem-estar dos usuários. Um dos sistemas que eu prefiro especificar nos edifícios é o sistema de ar-condicionado com insuflamento pelo piso, que oferece conforto e limpeza associados ao controle da filtragem e à descontaminação, sendo fundamental para a saúde do edifício e de seus usuários. Os investimentos são basicamente pequenos e os benefícios na redução do absenteísmo são imensos. Outro exemplo importante como geração de ar frio, são os dois projetos de arquitetura nos quais estamos trabalhando atualmente e que fazem uso de energia geotérmica, reduzindo substancialmente os investimentos em equipamentos e consumo de energia.

 

TEM Sustentável: Quando, efetivamente, iniciou a ligação do Edo Rocha Arquiteturas com a sustentabilidade?

Edo Rocha: Desde que me entendo por arquiteto, a sustentabilidade faz parte do DNA dos meus projetos de arquitetura! Aliás, esse assunto vem desde a década de 80, quando iniciei o movimento dos “edifícios inteligentes” por meio de produtos e serviços com essa mesma concepção para prédios corporativos. Fiz inúmeras palestras introduzindo o conceito com o intuito de atingir a modernização dos edifícios, que deveriam se preparar para a grande mudança da era da informática. Nessa época, trouxe para o Brasil diversos produtos, como pisos elevados para áreas de escritório, sensores de presença para controle de iluminação, carpetes e placas, luminárias eficientes, ar-condicionado pelo piso, elétrica e dados pré-cablados, enfim, produtos e serviços que não eram utilizados no Brasil. Em 1993, visitei o recém-inaugurado prédio em Nova York da Audubon Society, o primeiro ecologicamente correto e que deu o pontapé inicial no movimento de arquitetura verde no mundo. Fiquei fascinado com a ideia da implantação e conceito do retrofit que haviam acabado de construir. Desde então, fui um dos grandes incentivadores do processo no Brasil. Hoje, não se projeta um edifício que não tenha um programa de sustentabilidade, sendo o trabalho uma consciência que deve vir de toda a cadeia produtiva de materiais e serviços.

 

TEM Sustentável: Ao todo, quantos são e quais são os projetos de arquitetura do escritório que renderam certificações LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)?

Edo Rocha: Hoje contamos com 13 edificações certificadas e projetadas por nós, em todo o Brasil. Dentre elas, estão:

– A torre 3 do WTorre Nações Unidas, o Edifício Alvino Slavieroe e o Bradesco Alpha Building, na categoria Core & Shell – Ouro.

– As torres 1 e 2 do WTorre Nações Unidas, o prédio 4 da VALE S/A – Complexo Administrativo Águas Claras e o CES – Centro Empresarial Senado (sede da Petrobrás), na categoria Core & Shell – Prata.

– A sede do próprio Green Building Council Brasil, o Banco Votorantim, o BC São Paulo Relocation e o prédio da Qualicorp, na categoria Arquitetura de Interiores Comerciais – Ouro.

– O estúdio e almoxarifado do prédio da RecNove, o Vivo Data Center Tamboré e o edifício da Globo Data Center, na categoria Novas Construções – Ouro.

 

TEM Sustentável: Conte para nós quais foram as tecnologias sustentáveis adotadas em ao menos um desses projetos e que serviram como indicadores de sustentabilidade à GBC Brasil?

Edo Rocha: Posso citar o nosso mais recente projeto, que foi o de arquitetura e arquitetura de interiores do Bradesco Alpha Building. Empreendimento Triple AAA, ele tem uma  área construída de 74.099,63m², 18 pavimentos, seis subsolos, 980 vagas de garagem e um heliponto. O desafio estava em como resolver uma laje de maneira eficaz. Assim, surgiu  a ideia de fazer duas fachadas contrastantes, criativamente estéticas e eficazes em termos de controle solar. Na fachada nascente, que vai do térreo ao 12º andar, a utilização da cerâmica ventilada de cor clara atendeu às necessidades de conservação da energia e do conforto térmico, além de ser um produto autolimpante. Já na fachada poente, do térreo ao 18° andar,  que recebe o sol da tarde com maior incidência e que têm o maior número de pessoas trabalhando, o brise vertical permite o controle da entrada de luz e tem uma grande eficácia em termos de conservação de energia. O 13º andar tem uma laje ajardinada que proporciona um lugar agradável para o restaurante e auditório. O empreendimento trouxe benefícios para o entorno, com uma área aberta ao público destinada para consultórios, academia,  lojas, agência bancária e restaurantes e cafés, além da construção de uma passarela sobre a avenida para segurança dos pedestres. A edificação conta com uma estação de tratamento de água cinza, que depois de tratada é reutilizada nas bacias sanitárias e no sistema de irrigação. É autossuficiente do ponto de vista do abastecimento de energia, atendendo a 100% da carga. Na arquitetura de interiores, o projeto seguiu os princípios LEED Gold; foram usados materiais recicláveis, iluminação de LED, produtos economizadores e de sustentabilidade.

 

TEM Sustentável: No Brasil, a idealização de projetos de arquitetura sustentáveis tem começado a dar passos mais largos nos últimos anos. Em sua opinião, o que pode ser feito para que eles sejam ainda mais difundidos, aceitos e realmente aplicados por aqui?

Edo Rocha: Em primeiro lugar, é preciso entender que a requalificação urbana é uma consequência da função e um aspecto importantíssimo de espaço sustentável para a disseminação do conceito em nosso país. Um caso típico dos efeitos que uma edificação pode causar em seu entorno é o caso do Centro Empresarial Senado (CES), citado anteriormente. O prédio foi construído por nós na Lapa, Rio de Janeiro, um bairro tombado e que estava em profunda deterioração. Com a sua implantação, foram restaurados vários dos imóveis do entorno, bem como uma série de serviços de requalificação urbana, iluminação pública, instalação de câmeras de segurança etc. Após o edifício ter ficado pronto, vários outros prédios tiveram uma valorização bem mais alta quando comparada com o valor inicial das edificações lá existentes. Outro ponto essencial a se considerar é a falta de incentivo do governo às práticas sustentáveis de arquitetura, como as comentadas nas respostas anteriores, que deveriam ser fortemente valorizadas. Prédios que tenham sua produção de energia renovável, o reuso e tratamento hídricos e outras ações sustentáveis deveriam ter bônus em suas contas de água, luz e IPTU. Assim como projetos sustentáveis deveriam ter um tipo de aprovação junto à prefeitura e aos órgãos públicos com incentivo e não serem tratados como os outros tipos de edifício. Isso sem dúvida ajudaria a elevar o número de atitudes mais sustentáveis, minimizando os impactos dos prédios nas cidades. Os edifícios de escritórios são os maiores consumidores de energia e a forma de se ter uma melhor racionalização é começar por onde as pessoas trabalham. Por isso, provocar a indústria para produzir materiais mais eficazes e menos produtores de gases poluentes e buscar fontes alternativas e renováveis de energia, sem dúvida também trarão grandes benefícios para o planeta. Por outro lado, houve nos últimos anos uma grande evolução da tecnologia, que permitiu a melhoria substancial da conservação de energia nos prédios.

 

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