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“Green Hospitals”: Certificação LEED® para hospitais sustentáveis

Hospitais sustentáveis
Hospital Albert Einstein – Khan do Brasil

“Green Hospitals”: Certificação LEED® para hospitais sustentáveis

Por Antonio Macêdo Filho, LEED AP BD+C / DGNB Consultant

Prof. Coord. MBA em Construções Sustentáveis do INBEC / UNIP

Diretor da EcoBuilding Consultoria

Passamos a maior parte de nosso tempo dentro de edifícios. Nossa qualidade de vida está, em grande medida, relacionada à qualidade dos espaços construídos para abrigar as nossas atividades e necessidades, sejam elas de habitação, estudo, trabalho, produção ou cuidados com a saúde. Há alguns anos, o conceito da “Síndrome do Edifício Doente” ou do edifício patogênico, mais apropriadamente, vem sendo estudado por pesquisadores e empresas de diversos setores para entender os efeitos que a qualidade e os cuidados (ou a falta deles) com as instalações dos edifícios provocam nas pessoas. Esse assunto se torna ainda mais relevante quando estamos falando de instalações hospitalares.

Mais recentemente, estamos vendo uma crescente preocupação com os desempenhos ambientais de empreendimentos para a saúde, atentos não apenas à otimização dos consumos de energia e água, o que para instalações que têm operação contínua é fundamental, mas também à qualidade do ar, da luz, da acústica e do nível de conforto dos usuários em relação à climatização, aos acessos e ao contato com a natureza. Ou seja, preocupações com a qualidade dos espaços dedicados ao cuidado com a saúde. Hospitais sustentáveis são aqueles que dão respostas a essas questões.

 

Hospitais sustentáveis
Dados dos edifícios hospitalares – EcoBuilding Consultoria

 

Para se caracterizar um hospital sustentável, é preciso que se avalie a sua estrutura, seus espaços, instalações e processos, em projeto, para os casos novos, ou mesmo para instalações existentes, e se verifique o nível de desempenho que atingiria ao se adotar uma certificação ambiental de edifícios sustentáveis. Nesse caso, a certificação a ser considerada, mais utilizada no mundo, é o LEED for Healthcare.

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A certificação LEED® foi criada pelo USGBC (United States Green Building Council) em 1999 para identificar e destacar empreendimentos sustentáveis por meio de criteriosos processos de certificação. Internacional, ela apresenta sete dimensões a serem avaliadas nas edificações: Localização e Acessos; Espaços Sustentáveis; Uso da Água; Energia; Materiais e Recursos; Qualidade dos Ambientes Internos; e Inovação em Projetos.

 

 

 

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Categorias do LEED – EcoBuilding Consultoria

 

Em cada uma delas, há requisitos de desempenho a serem atingidos. Muitas têm pré-requisitos (práticas obrigatórias) e em todas há créditos, estratégias que, quando atendidas, garantem pontos. A certificação é alcançada com 40 pontos mínimos de um total de 110 possíveis (nível “Certificado”) e há, ainda, outros três níveis de certificação possíveis: “Prata”, para mais de 50 pontos; “Ouro”, mais de 60 pontos; e “Platina”, mais de 80 pontos.

 

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Certificações LEED – GBCBrasil

 

O LEED for Healthcare, assim chamada a certificação LEED® para hospitais sustentáveis, define um conjunto de normas e padrões de desempenho com o objetivo de mensurar e certificar como sustentáveis o projeto, a construção e a operação de edificações de saúde de alto desempenho, saudáveis, duráveis, economicamente viáveis e ambientalmente conscientes. Dentre as vantagens promovidas pelos “Green Hospitals” estão:

 

A) Redução de custos operacionais, devido à redução de consumos de água e energia;

B) Melhora nas respostas dos pacientes aos tratamentos, por conta da melhor qualidade dos ambientes, contato com a luz do dia, ar fresco e uso de materiais atóxicos;

C) Diminuição do período de internação;

D) Melhor controle de infecções;

E) Aumento da atração e retenção de funcionários;

F) Benefícios para a comunidade do entorno pela redução de impactos.

 

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Vantagens dos hospitais sustentáveis – BAM

 

A adoção de estratégias de sustentabilidade e certificação ambiental de hospitais pode ser também um ótimo negócio. Pesquisas realizadas com dezenas de casos concluídos de hospitais sustentáveis nos EUA, confirmam que o custo adicional para se realizar um “Green Hospital” é relativamente baixo e oferece um retorno considerável. Segundo o USGBC, um custo adicional de até 2% produz economias no ciclo de vida do empreendimento até dez vezes maiores que o investimento.

Por exemplo: um investimento de 100 mil reais em um projeto de 5 milhões de reais pode gerar uma economia de até 1 milhão de reais durante sua vida útil, estimada em 20 anos. Os benefícios financeiros incluem: menos gastos com energia, menos gastos com disposição de resíduos, menos custos com água, menos custos operacionais e de manutenção, além do aumento da produtividade de funcionários e melhoria da imagem pública, o que, por sua vez, tende a valorizar o empreendimento.

Um estudo sobre hospitais sustentáveis feito pela consultoria em investimentos Davis Langdom analisou os projetos de 17 empreendimentos para a saúde, nove buscando certificação LEED® e oito sem ela. Financeiramente, os nove projetos LEED® se saíram iguais ou mais baratos do que os sem LEED®, comprovando a teoria de que não existe diferença significativa nos custos médios para empreendimentos do tipo quando comparados aos convencionais.

 

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Custos com demandas x poluentes – David and Lucile Packard Foundation

 

Exemplos nacionais e internacionais de hospitais sustentáveis

Hospitais sustentáveis
Ochsner Health System – Glassdoor

 

No Brasil e pelo mundo, atualmente é possível encontrar diversos casos de hospitais sustentáveis, assim considerados por suas práticas ambientais – tenham eles recebido ou não certificação LEED®. O Ochsner Health System, localizado em New Orleans, faz uso da água do rio Mississippi para substituir suas tradicionais torres de resfriamento para ar-condicionado, atitude que levou o empreendimento a ter a uma economia de 3 milhões de dólares com eletricidade, durante um ano. Também foram trocadas mais de 60 mil lâmpadas por modelos mais eficientes, diminuindo o consumo em 20%, e diversos motores de sucção e bombas por motores de velocidade variada. Tais ações fizeram com que a pegada energética do hospital fosse reduzida para 350 mil dólares por ano.

 

Inha University Hospital - Visit Korea
Inha University Hospital – Visit Korea

 

O Inha University Hospital, na Coréia do Sul, é outro bom exemplo de hospital sustentável: lá, houve uma redução média de 40% no período de internação de pacientes de ginecologia em quartos ensolarados. No Brasil, destaca-se o Hospital Albert Einstein, que obteve a certificação LEED® Gold para duas de suas unidades. As novas instalações no Morumbi, em São Paulo, contam com cobertura vegetada, iluminação de alta eficiência, fachada ventilada, vidros insulados de alto desempenho, reaproveitamento de águas pluviais e drenos do sistema de ar condicionado, iluminação natural nas salas de exame, praça aberta à comunidade, calçamento semipermeável, pavimentos externos com alto índice de reflexão solar (SRI), irrigação de alta eficiência e tintas e colas à base d’água. Também em São Paulo, unidades hospitalares do Sírio Libanês, Santa Paula, Unimed, 9 de Julho e laboratórios Fleury obtiveram certificação LEED®.

 

Hospitais sustentáveis: processo de projetos integrados

Além de projetos novos, hospitais existentes também podem se tornar hospitais sustentáveis. Para se avaliar a viabilidade da obtenção de uma certificação como o LEED for Healthcare, para um projeto novo ou hospital existente, é preciso, a princípio, uma avaliação de projetos ou diagnósticos das instalações existentes, que originará um relatório do Estudo de Viabilidade Técnica, que identificará oportunidades e potenciais.

A partir daí, deve-se envolver uma equipe multidisciplinar de profissionais que passarão a atuar na incorporação das diversas estratégias de sustentabilidade identificadas como viáveis, por meio de um Processo de Projeto Integrado. Suas técnicas têm se provado efetivas na realização de hospitais sustentáveis dentro do cronograma e do orçamento previsto. Para tal, é necessária uma gestão coordenada e colaborativa de uma equipe multidisciplinar envolvida com o projeto, com conhecimento técnico apropriado para desenvolver os diversos projetos com correto dimensionamento e integração dos equipamentos e estratégias que serão empregados.

 

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Processo de projeto integrado – EcoBuilding Consultoria

 

Com projetos bem elaborados, passe-se à execução de obras ou implantação de um Plano de Ações para instalações existentes. Essas ações devem também ser coordenadas e acompanhadas para garantir a boa implantação das medidas propostas. Tais procedimentos originarão um conjunto de documentos que devem, então, ser encaminhados ao órgão certificador para verificação e confirmação da certificação.

Desta forma, com um projeto integrado e implantação bem gerenciado, perdas são minimizadas, equipamentos são adequadamente especificados, dimensionados e instalados, e soluções para a sustentabilidade são propostas e bem implementadas, tudo isso proporcionando menores custos e melhores resultados operacionais, com mais controle e qualidade dos espaços.

A partir de então, resta à gestão da operação conduzir o dia a dia do empreendimento de maneira sustentável. Para tanto, deve-se considerar um conjunto de procedimentos decorrentes de uma Análise Racional para Operação Sustentável, com a qual, além da própria construção, algumas instituições têm operado de maneira mais racional, eliminando produtos químicos perigosos em áreas de manutenção, limpeza, procedimentos médicos e de recuperação dos pacientes e promovendo atualizações tecnológicas e procedimentais constantes.

Assim se faz a sustentabilidade, com conhecimento técnico, integração multidisciplinar, orientação e processos claros e gestão responsável de todo o processo, inclusive, e principalmente, da operação. Ganham os pacientes e funcionários, ganham os proprietários, ganham as cidades, e por que não, ganha o planeta!

 

Autor

Antonio Macêdo Filho é arquiteto e urbanista pela UFBA e Master em Arquitetura Bioclimática e Edifícios Inteligentes pela Universidad Politécnica de Madrid. Especialista na área de Eficiência Energética das Edificações junto ao Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP; profissional credenciado LEED® AP Building Design and Construction junto ao USGBC e DGNB Consultant e Conselho Alemão de Construção Sustentável. É professor e coordenador do MBA em Construções Sustentáveis do INBEC/UNIP e diretor da EcoBuilding Consultoria e Desenvolvimento Profissional. Com 20 anos de atuação na área, é um dos precursores da sustentabilidade das construções no Brasil, sendo um dos primeiros profissionais credenciados LEED® e criador dos primeiros cursos preparatórios para a formação de novos profissionais LEED® Green Associate e LEED® Accredited Professionals do país.

 

Fontes consultadas:

 

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