sábado , 17 fevereiro 2018
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Investimento global em Energia Limpa é impulsionado pela China em 2017

Energia limpa
Energia limpa

Investimento mundial em energia limpa totalizou US$ 333,5 bilhões no ano passado, uma alta de 3% em relação a 2016 e segundo maior investimento anual da história

Um crescimento extraordinário nas instalações fotovoltaicas fez de 2017 um ano recorde para a China em termos de investimento em energia limpa. Esse boom ofuscou as mudanças ocorridas em outros países, como o salto nos investimentos na Austrália e México e a queda nos investimentos no Japão, Reino Unido e Alemanha.

Segundo os números anuais da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), baseados em sua base de dados de projetos e contratos, os investimentos mundiais em energia renovável e tecnologias inteligentes de energia atingiram US$ 333,5 bilhões no ano passado, um aumento de 3% em relação aos números revisados de 2016, US$ 324,6 bilhões, e apenas 7% inferior ao recorde histórico de US$ 360,3 bilhões registrado em 2015.

 

Energia limpa
Jon Moore, diretor da BNEF

Jon Moore, diretor executivo da BNEF, diz: “O total de 2017 é ainda mais notável se considerarmos que os custos de capital da tecnologia líder – a solar – continuam em queda acentuada. No ano passado, os custos por megawatt dos sistemas fotovoltaicos de grande escala foram 25% menores em relação aos de dois anos atrás”.

Mundialmente, os investimentos em energia solar somaram US$ 160,8 bilhões em 2017, 18% a mais em relação ao ano anterior mesmo com as reduções de custo. Pouco mais da metade desse total, US$ 86,5 bilhões, foi gasto na China. Esse montante é 58% superior ao de 2016, com uma capacidade instalada adicionada de geração de energia fotovoltaica de 53GW em 2017, contra os 30GW em 2016.

 

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Justin Wu, diretor da BNEF na Ásia-Pacífico, diz: “Em 2017, a China aumentou sua capacidade instalada em cerca de 20GW além do previsto. Isso aconteceu por duas razões principais: primeiro, apesar do crescente uso de subsídios pelos desenvolvedores e do aumento da energia não injetada na rede (curtailment), as autoridades reguladoras chinesas – pressionadas pela indústria – agiram com lentidão para inibir a construção de projetos de larga escala fora das quotas alocadas pelo governo. Em segundo lugar, o custo da energia solar continua caindo na China, e cresce o número de projetos em telhados, parques industriais e outros locais para geração distribuída – sistemas não limitados por quotas governamentais. Grandes consumidores de energia na China estão instalando painéis solares para suprir sua própria demanda, com subsídio mínimo”.

 

Investimentos por país

No total, a China investiu US$ 132,6 bilhões em tecnologias de energia limpa, montante que representa um salto de 24% e um novo recorde. O segundo país que mais investiu foi os EUA, com US$ 56,9 bilhões, montante 1% superior ao de 2016, não obstante a menor simpatia demonstrada pela administração Trump em relação às fontes de energia renovável. 

Financiamentos de grandes projetos eólicos e solares resultaram em um investimento de US$ 9 bilhões na Austrália, alta de 150%, e de US$ 6,2 bilhões no México, alta de 516%. Por outro lado, o Japão viu seus investimentos caírem 16% em 2017, para US$ 23,4 bilhões. Na Alemanha, os investimentos caíram 26%, para US$ 14,6 bilhões; no Reino Unido, os investimentos caíram 56% devido a mudanças na política de apoio, totalizando US$ 10,3 bilhões. No total, a Europa investiu US$ 57,4 bilhões, representando uma queda de 26% em relação ao ano anterior.  

A seguir, os investimentos totais de 2017 dos países que investiram pelo menos US$ 1 bilhão em energia limpa:

  • Índia US$ 11 bilhões, queda de 20% em relação a 2016
  • Brasil US$ 6,2 bilhões, alta de 10%
  • França US$ 5 bilhões, alta de 15%
  • Suécia US$ 4 bilhões, alta de 109%
  • Holanda US$ 3,5 bilhões, alta de 30%
  • Canadá US$ 3,3 bilhões, alta de 45%
  • Coreia do Sul US$ 2,9 bilhões, alta de 14%
  • Egito US$ 2,6 bilhões, alta de 495%
  • Itália US$ 2,5 bilhões, alta de 15%
  • Turquia US$ 2,3 bilhões, alta de 8%
  • Emirados Árabes Unidos, US$ 2,2 bilhões, um montante 23 vezes maior
  • Noruega US$ 2 bilhões, queda de 12%
  • Argentina US$ 1,8 bilhão, alta de 777%
  • Suíça US$ 1,7 bilhão, queda de 10%
  • Chile US$ 1,5 bilhão, alta de 55%
  • Áustria US$ 1,2 bilhão, alta de 4%
  • Espanha US$ 1,1 bilhão, alta de 36%
  • Taiwan US$ 1 bilhão, queda de 6%
  • Indonésia US$ 1 bilhão, alta de 71%

 

Novos investimentos globais em energia limpa, por setor, em US$ bilhões

Energia limpa

Fonte: Bloomberg New Energy Finance. Observação: Energia limpa abrange energia renovável, exceto grandes hidrelétricas, além de tecnologias inteligentes como eficiência, resposta de demanda, armazenamento e veículos elétricos.

Os números anuais da BNEF para os anos anteriores, revisados nesta rodada, são:

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Os números de 2016 refletem uma revisão significativa, resultante da chegada de novos dados de energia solar e eólica da China e de P&D corporativo global.

Todos os números acima são referentes a novos investimentos recebidos pelo setor de energia limpa. A BNEF também mensura as transações que levam o dinheiro a trocar de mão, como a compra e venda de projetos de energia limpa e companhias por organizações, e o refinanciamento de dívidas de projetos existentes.  

Esse tipo de transação totalizou US$ 127,9 bilhões em 2017, alta de 4% em relação ao ano anterior, e a maior até hoje. As aquisições e o refinanciamento de projetos de energia renovável subiram 14%, totalizando um montante recorde de US$ 87,2 bilhões, enquanto as fusões e aquisições corporativas envolvendo companhias especializadas em energia limpa caíram 51%, para US$ 17,5 bilhões.

A maior transação de aquisição do ano foi a compra de uma participação de 51% na norte-americana ‘yieldco’ TerraForm Power pela Brookfield Asset Management por US$ $4,7 bilhões.

Abraham Louw, analista de economia de energia limpa da BNEF, disse: “É notável que o mercado de aquisições no setor de energia limpa tenha superado os US$100 bilhões nos três últimos anos. O fato de os ativos de geração, em particular, estarem em crescente demanda por parte de compradores sinaliza que o setor está amadurecendo. ”

Fonte: Burson-Marsteller / Gabriela Giantomassi – gabriela.giantomassi@bm.com

 

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