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Logística reversa de RCD cresce e traz incentivos ao setor

Logística reversa
Foto: Peter Craven – Flickr

Uso de materiais provenientes da logística reversa ganha força e mercado reconhece suas vantagens para a economia, a sociedade e o meio ambiente

De um lado, um campo promissor, que gera renda, empregos e tem recuperado o fôlego. De outro, a sombra de um dos setores que mais produz detritos e causa impactos em diferentes âmbitos. Para dar fim à essa fama e, mais ainda, equilibrar suas ações de forma a garantir sustentabilidade, o mercado da construção civil tem adotado práticas mais conscientes, sendo a logística reversa de resíduos da construção e demolição (RCD) uma das que mais ganham adeptos e investimentos.

Logística reversa
Hewerton Bartoli, da R3ciclo – Divulgação

Para se ter ideia da necessidade de implantação de políticas de logística reversa mais rigorosas, somente no Brasil gera-se 84 milhões de metros cúbicos de RCD por ano. Se 100% reciclados, esses resíduos seriam suficientes para pavimentar quase 170 mil quilômetros de estradas ou construir 3,7 milhões de casas populares. Os dados são de um estudo elaborado por Hewerton Bartoli, presidente da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (ABRECON) e diretor da R3CICLO.

 

Popularmente chamado de entulho de obra, o RCD nasce de construções em geral, reformas e demolições. Segundo Bartoli, o sistema de logística reversa consiste no descarte de resíduos inertes, isto é, de alvenaria e concreto em usinas de reciclagem e consumo de agregado reciclado – areia, bica corrida, brita e rachão. “A ideia é otimizar a gestão, usando a mesma caçamba para ambos os serviços. Com isso, torna-se possível reduzir os custos e amenizar os impactos gerados pela emissão de CO2 e o trânsito no entorno do empreendimento”, observa.

 

Outros ganhos e considerações para a construção civil

O ponto alto da adoção da logística reversa nas empresas de construção é sua forte ligação com o tripé da sustentabilidade. Ou seja, trata-se de uma ação ambientalmente viável, economicamente equilibrada e socialmente justa. Além disso, o dirigente afirma que o produto é, em média, de 10% a 30% mais barato que o agregado virgem, oriundo de pedreiras. “O seu uso poupa a extração de recursos naturais e a vida útil de aterros. Sem contar que a atividade gera emprego e renda e toda a cadeia ganha com a prática”.

 

Logística reversa
Hierarquia dos resíduos, segundo Hewerton Bartoli – ILUSTRAÇÃO Estudo “Planejamento e Gestão de Resíduos de Construção Civil e Demolição”

 

A ligação entre logística reversa e sustentabilidade ainda está na não geração de resíduos e possíveis descartes irregulares, afinal, o mercado gerador também é consumidor. “Geralmente, obras de construção comercial e residencial, além da pesada, são grandes mercados. O consumo maior fica com empresas de terraplenagem para acesso de obra e aterro e com o setor de pavimentação como base e sub-base”, alega Bartoli. O destaque vai para a fabricação de artefatos de concreto sem função estrutural, como blocos de vedação e pisos intertravados.

No entanto, o presidente da ABRECON faz um alerta: para que funcione adequadamente e assegure qualidade, segurança e organização, os agentes envolvidos nos processos de logística reversa devem atender a normas específicas e que norteiam o trabalho de reciclagem. Duas delas são a Resolução CONAMA 307/2002 e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas é igualmente importante considerar a NBR 15.114, para operação de usinas de reciclagem, e as NBRs 15.115 e 15.116, de aplicação do agregado reciclado.

 

Logística reversa
Classificação de RCD, de acordo com a Resolução 307-2002 do CONAMA – Estudo “Planejamento e Gestão de Resíduos de Construção Civil e Demolição”

 

A logística reversa e alguns cases de sucesso

Prova de como a dupla logística reversa e meio ambiente pode dar certo, o empreendimento EZ Towers, certificado LEED® Gold na categoria Core and Shell, aplicou com a R3CICLO a logística reversa como um de seus processos sustentáveis. Hewerton Bartoli conta que, durante o processo, houve um descarte de 3.264 m3 de resíduos em usina externa, totalizando 985 m3 de agregados reciclados consumidos e uma economia de R$ 30 mil quando comparados o descarte em aterro e a compra em pedreiras.

 

Logística reversa
O antes da logística reversa = resíduos estocados em baia durante a obra do edifício EZ Tower para posterior reciclagem – Foto: R3CICLO
Logística reversa
Por fim, após as etapas técnicas próprias da logística reversa, o agregado reciclado foi aplicado na obra do empreendimento paulista – R3CICLO

 

A prática adotada pela Presto, empresa especializada na fabricação de pisos e blocos de concreto, também serve de exemplo. Certificada na NBR ISO 9001, com o selo de qualidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e membro da GBC Brasil, a companhia conta com um interessante sistema de recolhimento de RCD, por meio de uma usina de reciclagem exclusiva instalada diretamente nos canteiros de obra de seus clientes. Assim, as cinzas geradas nas obras são recolhidas e reaproveitadas pela própria fabricante.

Mesmo com a crescente procura pela logística reversa para construções de diferentes portes, ainda são grandes seus desafios, sobretudo em relação à cadeia de reciclagem atual. Em seu estudo, Bartoli aponta que nas fases de geração de resíduos, transporte e disposição do RCD ainda há uma clara falta de controle, a presença de prestadores de serviços pressionados e uma destinação irregular. Para ele, uma mudança de cultura sobre a importância da triagem dos resíduos e a inserção do produto em tabelas trariam melhoras significativas ao setor.

 

Logística reversa
Na logística reversa, o capital investido demora de 2 a 3 anos para ser recuperado – Foto: Peter Craven – Flickr

 

E você, o que tem feito pela logística reversa nas obras em que atua? Conte suas experiências e inspire outros profissionais a também “reciclarem” seus conceitos!

 

 

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