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Novos horizontes para a reciclagem de entulho

Horizontes - Pixabay
Horizontes – Pixabay

A reciclagem de resíduos da construção civil e demolição no Brasil já passou há tempos de ser um negócio incipiente e isolado, algo excepcional.

No maior mercado do Brasil, o estado de São Paulo, há uma usina de reciclagem de RCD para cada 50 quilômetros. Existe mais usina hoje, indubitavelmente, do que cinco anos atrás e teremos um crescimento ímpar nos próximos anos. É certo que a reciclagem de entulho assumirá um papel imprescindível na construção sustentável, bem como, será item “chave” em políticas públicas de saneamento básico e saúde pública.

As usinas de reciclagem de entulho começam agora a pavimentar a ideia de sustentabilidade no município e já “habitam” cidades menores, que outrora eram inviáveis, seja por um mercado restrito no consumo de agregado ou na geração de entulho.

É até curioso, pois hoje encontramos usinas muito bem estruturadas em cidades com cinquenta mil habitantes ou até menos.

Aos poucos o negócio que antes era arriscado e diretamente dependente do ente público, começa a tomar uma forma de necessário e urgente, devido à escassez de áreas para descartar o entulho e ao esgotamento das pedreiras e portos de areia. 

Estamos evoluindo, se distanciando de uma realidade triste, mas ainda presente. 

O fato é que a mensagem agora é entendida como importante. A gestão dos resíduos da construção civil não é mais vista como “neurose” de ambientalistas ou procedimento que exulta os técnicos de segurança do trabalho. Já está claro que reduzir e reciclar são as palavras de ordem no canteiro de obras. 





Usina de reciclagem de RCD da BRK Ambiental em São Paulo-SP- Foto Abrecon
Usina de reciclagem de RCD da BRK Ambiental em São Paulo-SP- Foto Abrecon

 

O mercado de agregados reciclados também cresce num ritmo maior, assim como as regras para o descarte de entulho, mais rigorosas e pauta constante dos administradores públicos. 

Embora haja uma turbulência no mercado da construção civil em virtude das disputas políticas e do cenário incerto, a reciclagem de resíduos da construção civil tem se desenvolvido num ritmo até surpreendente, porém, com empresário no limite da paciência. 

Há um cenário mais animador, melhor do que os últimos anos, mas, por outro lado, empresários com pouca ou nenhuma motivação para prosseguir no negócio. 

Tenho visto muita gente desanimada, desiludidas com o negócio e sem esperanças. 

A reciclagem de resíduos da construção civil é um negócio a longo prazo que carece de motivação e entendimento sobre o mercado. 

Os novos horizontes para a reciclagem de resíduos da construção civil trarão novos hábitos dos geradores de resíduos, políticas públicas para o setor e empresários mais capacitados para o segmento dos resíduos. 

É inegável a transformação a qual nós estamos vivenciando, mas tudo isso vai passar e teremos um ambiente de negócio mais interessante. 

Então, sejamos a mudança.

 

Autor

Levi Torres, Graduado em administração em São Paulo, foi presidente da empresa júnior Radial. Liderou por dois anos a associação do setor de reciclagem de óleos e gorduras vegetais e produção de biodiesel. Em outubro de 2010, idealizou e foi um dos responsáveis pela fundação da ABRECON – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, a qual é coordenador, participando ativamente de comitês e grupos de trabalho que defendem o interesse do segmento de RCD. É o atual secretário do CB-18 – Comitê Brasileiro para revisão da norma técnica da ABNT para aplicação de agregado reciclado.

 






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