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O agregado reciclado e a cidade democrática

Calçadas mal conservadas

O agregado reciclado e a cidade democrática

O caminhar é um hábito inerente ao ser humano, e em todo momento estamos seguindo para algum lugar, subindo, descendo, caminhando ou correndo. Usando as nossas pernas, fazemos uso do modal mais comum dos meios de transporte: o pé ou as pernas.

 As pessoas andam mais a pé do que em carros, ônibus, trens ou metrô, porém, é o modal que recebe menos atenção do poder público e até mesmo dos próprios usuários das calçadas. É comum reclamar de um buraco na rua e colocar a culpa no prefeito. Mas não é comum reclamar de um buraco na calçada. Também não é comum reclamar do morador que avança com a construção na calçada ou até mesmo suprime o passeio público, obrigando o usuário a concorrer com carros e motos no leito carroçável.

Hoje somos usuários das calçadas, saudáveis e com muita mobilidade, porém, daqui a trinta anos, seremos os mesmos usuários com restrições de mobilidade, alguns com mais e outros com menos.

Sim, seremos idosos e, naturalmente, precisamos pensar nisso agora. 

A cidade democrática é aquela que permite ao cidadão acessar todos os serviços públicos, trabalho, cultura e entretenimento com nenhuma burocracia e se possível sem ajuda de terceiros. 

A cidade de São Paulo conta com um serviço de auxílio as pessoas com mobilidade reduzida chamado “atende”. É uma van adaptada que leva as pessoas com restrição de mobilidade a seus destinos, em geral a escolas, hospitais e a centros de reabilitação. Mas esse serviço seria necessário se houvesse calçadas suficientes e acessíveis? 

Não. Não seria necessário, bem como, o custo público com acidentes de pessoas nas calçadas cairia drasticamente. 

Você não faz ideia de quantas pessoas se acidentam nas calçadas. É incrível. 

 

Calçada? – Foto: Simão Nogueira – Campo Grande News

 

Segundo levantamento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP – Universidade de São Paulo, de cada trinta atendimentos de pronto socorro, um está relacionado a queda em vias urbanas. Ainda, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas) o custo com internação nos leitos públicos devido a acidentes nas calçadas está na ordem de R$ 3,5 bilhões de reais. Pode isso Arnaldo? 

A sociedade foi desenvolvida em torno do carro. Somos carrocrátas, carrodependentes e a favor de políticas para os nossos patrimônios – o carro. O Brasil não evolui em políticas de mobilidade não motorizada. A questão é sempre tocada por partidarismo prolixo e dicotômico. A coisa entra numa seara muito distante do mérito e quase sempre deixa de ser prioridade de governo. 

De 2000 a 2010, a taxa de emplacamento no país mais que dobrou, partindo de 30 milhões para 65 milhões de automóveis (carros, motos e caminhões). As pessoas e as cidades não se prepararam para isso e como resultado temos congestionamentos quilométricos que consomem a nossa paciência e combustíveis (nosso dinheiro), mais avenidas e estradas e menos calçadas.

Do ponto de vista da construção da calçada, em geral, é de responsabilidade do morador ou do estabelecimento construir e manter os passeios. O custo por metro quadrado gira em torno de R$ 200,00 com argamassa, base e sub-base feitos com agregado natural. 

Creio que, no sentido de se reduzir o custo por metro quadrado construído de calçadas e ciclovias, seria interessante que as prefeituras e os órgãos responsáveis, pela mobilidade nas cidades, introduzirem o agregado reciclado em obras desse porte, pois além de ser extremamente mais barato, seria mais uma aplicação para o agregado reciclado. 

As exigências técnicas para o material reciclado são praticáveis em se tratando de calçadas e vias de tráfego baixo ou leve, ou seja, é possível fazer do limão uma limonada. 

Prover acesso às pessoas sem condição de mobilidade com custo baixo e maior produtividade.

Isto é, dar as pessoas cidadania, de fato.

 

Autor

Levi Torres, Graduado em administração em São Paulo, foi presidente da empresa júnior Radial. Liderou por dois anos a associação do setor de reciclagem de óleos e gorduras vegetais e produção de biodiesel. Em outubro de 2010, idealizou e foi um dos responsáveis pela fundação da ABRECON – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, a qual é coordenador, participando ativamente de comitês e grupos de trabalho que defendem o interesse do segmento de RCD. É o atual secretário do CB-18 – Comitê Brasileiro para revisão da norma técnica da ABNT para aplicação de agregado reciclado.

 

 

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