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Piso tátil: como e quando utilizá-lo

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Foto: Eliane Revestimentos

Em projetos públicos ou privados, o piso tátil deve ser empregado para minimizar riscos para pessoas com deficiência visual

A sinalização tátil implantada em pisos é considerada um recurso complementar para prover segurança, orientação e mobilidade a todas as pessoas, principalmente àquelas com deficiência visual ou surdo-cegueira – cujo comprometimento ou tipo de visão requer o acréscimo das informações oferecidas pela sinalização tátil no piso permitindo, assim, sua circulação de maneira autônoma.

De acordo com a pesquisa do Censo Demográfico 2010, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – e divulgado em 2012 -, a deficiência visual é a mais representativa do país, atingindo cerca de 35 milhões de pessoas, seguida da deficiência motora, auditiva e mental ou intelectual.

Atualmente há duas especificações principais para o piso tátil: em placas ou em elementos por unidade. Em ambos os casos, existem dois modelos que visam atender diferentes situações.

O modelo tátil de alerta – formado por um conjunto de relevos tronco-cônicos – tem como objetivo informar a pessoa com deficiência visual sobre a existência de desníveis ou situações de risco, orientar o posicionamento adequado para o uso de equipamentos, informar as mudanças de direção ou opções de percursos, indicar o início e o término de degraus, escadas e rampas, indicar a existência de patamares nas escadas e rampas e indicar as travessias de pedestres.

 

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Elementos táteis de alerta e direcional Foto: divulgação Pisos Daud

 

Já o modelo tátil direcional auxilia no sentido do deslocamento das pessoas, quando há ausência ou descontinuidade de linha-guia identificável, para indicar caminhos preferenciais de circulação. Outro detalhe importante é que estes dois modelos tenham uma cor contrastante com o piso em que está instalado, auxiliando quem possui baixa visão.

 

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Arquiteto e urbanista Robson Gonzales, da ARPA Acessibilidade

“A especificação para aplicação de placas ou elementos táteis em seus diferentes materiais dependerá do tipo de uso do local e se será aplicado em ambiente interno ou externo”, explica o arquiteto e urbanista Robson Gonzales, do escritório paulista ARPA Acessibilidade.

No mercado podem ser encontradas alternativas para o uso em áreas externas, como ladrilho hidráulico, porcelanato, concreto e argamassado, e para áreas internas existem produtos de PVC, poliéster ou borracha – geralmente em placas no formato de 25 x 25 cm, 50 x 25 cm e 50 x 50 cm -, além da opção formada por elementos táteis de inox.

 

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Claudio Drimel Vedovati, Diretor Comecial da Vedovati

O diretor comercial da Vedovati Pisos, Claudio Drimel Vedovati, detalha que no caso do produto de concreto, sua instalação deve ser fixada com argamassa ou cimento no piso existente. “Já os pisos de borracha e de PVC devem ser colados diretamente no contra piso ou, em superfícies lisas, pode ser utilizado adesivo de contato extra forte”, diz.

Vedovati ressalta ainda que “em caso de ambientes com lavagem frequente, devem ser instalados com adesivo PU bicomponente (que é mais resistente que o adesivo de contato) e nas extremidades do piso tátil é indicado aplicar um produto para evitar infiltrações de água (vedador de borda)”.

 

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Arquiteta Paula Dias

O piso tátil deve ser aplicado em todos os tipos de obras. “Sejam empresas, edifícios comerciais ou residenciais, teatros, cinemas, casas de espetáculos, auditórios, templos religiosos, estabelecimentos bancários, salões de festas, ginásios, estádios, museus, restaurantes, clubes, hotéis, shoppings, galerias comerciais, supermercados, etc”, exemplifica a arquiteta Paula Dias, que conta com um escritório homônimo de consultoria e projetos de acessibilidade.

 

 

O uso desse piso em espaços de uso público, independente de serem obras públicas ou privadas, é uma obrigatoriedade prevista em lei e respaldada por norma. “Obras novas normalmente já possuem a acessibilidade prevista, incluindo o piso tátil. No caso de obras anteriores à obrigatoriedade e norma, há a mesma exigência de adaptação, mas observamos que muitas ainda estão em processo, pois a acessibilidade não foi prevista desde o início”, comenta Larissa Daud Elias, gestora de produtos da Pisos Daud.

Para que um projeto seja funcional, sem aplicações equivocadas ou em excesso, o arquiteto responsável deve estar familiarizado com as normas referentes ao assunto e deve conhecer como o usuário se desloca. “O maior erro é projetar sem nunca ter observado como uma pessoa com deficiência visual se locomove. Piso tátil deve ser considerado uma linguagem, e como tal, sua aplicação deve passar uma mensagem clara, objetiva e precisa”, esclarece Gonzales.

 

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Piso tátil de alerta sinaliza o vão do metrô, na estação Uruguay, no Rio de Janeiro Foto: ARPA Acessibilidade

 

“As edificações devem ser analisadas de acordo com seu uso. Imagine o transtorno ao se aplicar trilhas táteis em todos os pavimentos de uma maternidade. Os pisos táteis seriam um obstáculo que as macas e carrinhos deveriam transpor, causando incômodo aos pacientes”, completa o arquiteto.

Por se tratar de uma linguagem padronizada, é importante que suas exigências sejam cumpridas. Os pisos não são, por si só, elementos de política urbana, no entanto, a lei federal 10.098/00 regulamentada pelo decreto federal 5.296/04, ao lado da lei brasileira de inclusão 13.146/15 estabelecem a adoção de medidas de promoção da acessibilidade nas políticas públicas.

 

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Área externa conta com placas de piso tátil de alerta para assinalar a escala Foto: ARPA Acessibilidade

 

 

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Especialista em acessibilidade Eduardo Ronchetti de Castro

“Conforme determinado pelo decreto 5.296/04 a sinalização visual e tátil (e aqui se inclui o piso) é obrigatória tanto em edificações públicas, quanto as de uso coletivo e até mesmo nas edificações de uso privado multifamiliar (prédios de apartamentos residenciais)”, afirma o especialista em acessibilidade Eduardo Ronchetti de Castro, com escritório homônimo em São Paulo.

De acordo com Larissa, “a homologação da NBR mais próxima da que usamos hoje ocorreu em 2004, quando o assunto adaptação para acessibilidade surgiu com força e aplicação no mercado – tanto para projetos novos quanto para adaptação de obras antigas. Por isso é um assunto que está mais presente no mercado brasileiro há 13 anos”, lembra.  

“Costumamos dizer que o decreto Lei 5.296/2004 veio para nos obrigar a atender as regras de acessibilidade das normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, que são as nossas NBR’s de acessibilidade, a NBR 9050/2015 de acessibilidade e NBR 16.537/2016 de pisos táteis, que são as mais atuais e que estão em vigor”, conta Paula.

Além de proporcionar às pessoas com deficiência, definitiva ou temporária, o uso de espaços com autonomia e segurança, a instalação do piso tátil possibilita também a certificação de sustentabilidade para a construção civil AQUA (Alta Qualidade Ambiental). “A certificação engloba acessibilidade, mas o Processo AQUA vai muito além”, diz Vedovati, detalhando que o processo ajuda o empreendedor a executar um projeto que considera, além das deficiências físicas imediatas, também aquelas adquiridas com o envelhecimento.

 

Fornecedor em Destaque

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Vedovati Pisos

Os produtos de sinalização tátil oferecidos pela Vedovati Pisos são resistentes pisos de borracha, disponíveis no modelo de alerta ou direcional, que não deformam e não ressecam com o tempo. Indicadas para ambientes externos e interno, as placas apresentam tamanho de 25×25 cm, com 5 mm de espessura e podem ser encontradas em amarelo, azul e preto.

 

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