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Plataforma BIM: benefícios e aplicações práticas

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Exemplo de estudo feito em plataforma BIM

Entre as possibilidades que o BIM oferece, estão os ensaios e simulações para análises de desempenho energético

Os benefícios proporcionados pelo uso da plataforma BIM (abreviação que significa Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção) são muitos e dependem dos usos e propósitos que se pretende para o modelo. Para além de uma maior integração entre as diversas equipes de projeto, um projeto desenvolvido com o sistema BIM possibilita ensaios de desempenho de diversas naturezas para o futuro edifício, com os quais pode-se obter resultados que irão aprimorar esse projeto.

 

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Caio Bacci Marin, da ASBEA

“Projetos desenvolvidos em BIM trazem o enorme benefício de potencialmente serem modelos virtuais que se prestam ao ensaio de desempenhos estético, construtivo, energético, de uso, e que agregam um conjunto de informações relativas ao projeto, como quantitativos, descrição e especificações de elementos construtivos e produtos, entre outras”, explica o arquiteto Caio Bacci Marin, coordenador do Grupo de Trabalho BIM, da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA).

 

O arquiteto, que é sócio titular e fundador do escritório Bacci Marin Arquitetos, tem como meta para o biênio 2017-2019 no GT-BIM buscar a colaboração junto à Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) e demais parceiros do setor, para o desenvolvimento de padrões para bibliotecas eletrônicas a serem desenvolvidas pela indústria – incluindo as informações de sustentabilidade dos produtos. Outra meta, ele informa, é estabelecer um padrão para a organização interna dos projetos em um ambiente multi-softwares e aprofundar seu entendimento com o Open BIM.

 

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É possível realizar ensaios que permitem ajustar o projeto para melhorar o desempenho

 

Marin acredita que além de apresentar benefícios – decorrentes da uma melhor compatibilização entre arquitetura, estrutura e instalações baseados na visualização 3D, na identificação computadorizada de conflitos e na forma colaborativa de trabalho – realizar ensaios antes da execução permite ajustar o projeto de forma a obter melhores desempenhos de consumo. “Podem, por exemplo, ser feitas simulações da incidência solar nas fachadas e com isso potencializar tanto a utilização da luz natural como reduzir o uso de ar condicionado. Soluções criativas para captação e armazenagem de água da chuva também podem ser mais facilmente testadas”, ele ilustra.

 

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Corte de edifício residencial de 19 andares é simulado no sistema

 

Um edifício residencial de 19 pavimentos para mercado de médio padrão, em que controlar os custos de obra é fundamental para o desempenho econômico do empreendimento, foi utilizado o sistema. “O uso do BIM favoreceu a compatibilização de projeto e a quantificação dos elementos construtivos para orçamento – um uso básico do BIM, mas muito útil. Essa obra está em seu início, com as escavações do subsolo já iniciadas”, detalha Marin, destacando como principais benefícios nesse caso a organização dos projetos e o controle do quantitativo dos elementos.

Outro exemplo é um projeto de uso misto com duas torres, sendo uma de serviços de alto padrão e uma residencial. “Para esse caso pretendemos utilizar o modelo não só para compatibilização e orçamento, mas também para análises de desempenho energético com fins de certificação ambiental. Esse projeto está na fase de anteprojeto e estamos agora avaliando junto ao cliente as estratégias de desenvolvimento dos modelos e qual tipo de certificação vamos buscar”, ele revela.

 

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Dificuldades na implantação

“Ainda lidamos com alguma resistência à mudança na cultura de trabalho dos escritórios de projeto, coisa que aos poucos está sendo desmistificada”, conta o arquiteto. Marin esclarece que há também uma demora natural devido ao necessário alinhamento de novas normas e a definição de padrões para sistematização dos projetos em BIM. “Nesse campo também temos importantes frentes de trabalho, tanto nas comissões da NBR como no desenvolvimento de manuais de boas práticas. Depois do esforço pioneiro da AsBEA, que fez os primeiros manuais brasileiros sobre o tema, hoje a Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria (ABDI), ligada ao ministério da indústria e do comercio, está patrocinando o desenvolvimento de um manual que pretende ser um marco organizador para a produção de projetos em BIM”, comenta.

 

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Outro fator de peso para a implantação do BIM são os valores financeiros. Segundo Marin, o custo das licenças de softwares são elevados e também é necessário que sejam feitos incrementos na estrutura de hardware. “Para um escritório com cerca de dez profissionais atuantes, os custos de implantação entre licença, máquina e capacitação passam rapidamente de 300 mil reais. Como ainda não existem linhas de financiamento acessíveis para a maioria das empresas do setor, a implantação vai sendo feita aos poucos”, relata.

Contudo, o arquiteto garante que é notável o aumento do interesse dos profissionais pela plataforma. “Na AsBEA percebemos uma demanda crescente por informações e capacitação sobre o BIM. O público nos workshops e seminários aumenta a cada ano”, ele conclui.

 

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