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Projeto ecoeficiente conquista certificação LEED no interior de Minas Gerais

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Divulgação

Soluções estratégias adotadas no projeto promovem uma significante redução no consumo de energia e de água

A fim de desmistificar a arquitetura sustentável e fazer a inclusão de seus conceitos e formas de aplicação para certificações ambientais, o escritório mineiro de arquitetura e engenharia LarVerdeLar busca trazer esta realidade para projetos em cidades de médio e pequeno porte, mostrando à população as vantagens desta nova postura de construção.

Localizado em Governador Valadares, cidade no interior de Minas Gerais com cerca de 275 mil habitantes, o projeto encontrou desafios como altas temperaturas durante todo o ano, captação de água de apenas uma fonte, o Rio Doce, topografia que favorece alagamentos e inundações em épocas de cheia do rio e longos períodos de estiagem – que constantemente comprometem o abastecimento de água da população.

A partir destas condicionantes, surge o conceito do projeto: uma edificação sustentável que empregue o uso de recursos renováveis e tecnologias de geração/reutilização de recursos, que tenha um bom comportamento térmico e, assim, menor custo de conservação e maior conforto aos usuários. Considerando ainda que a materialização desta obra, sem que o seu custo final inviabilizasse o empreendimento.

 

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Pé direito duplo promove o efeito chaminé, contribuindo para o conforto térmico

 

Por estar sediado em uma área residencial, o novo edifício – que abriga a sede da empresa de controle de pragas Controle Prestação de Serviço – precisou se adaptar, tendo tamanho e proposta visual compatíveis com as edificações do entorno. Além disso, a distribuição dos espaços projetados permite que a sede possa ser convertida em uma edificação residencial, dando flexibilidade à proposta.

 

Pensando em promover a redução do consumo de energia, que segundo o escritório chega a 88%, foram adotadas algumas estratégias, entre elas a implantação da ventilação natural. “Com a utilização da arquitetura bioclimática foi possível alcançar um conforto térmico satisfatório sem o uso de ar-condicionado. Para isso, utilizamos blocos de concreto celular ao invés de tijolos de alvenaria, coberturas vegetais, ventilação cruzada em todos os cômodos e efeito chaminé no centro do edifício”, detalham os sócios do LarVerdeLar, Bruna Tosetto, Micheli Gonçalves e Vitor Tosetto.

 

Os autores revelam ainda que outras estratégias que ajudaram a reduzir o consumo de energia foram empregar uma iluminação 100% LED, com densidade luminotécnica de apenas 4W/m² (é comum projetos luminotécnicos com potência instalada de 20W/m²) e instalar controles e sensores para acionamento e desligamento automáticos das lâmpadas.

Além disso, o uso de tintas que garantem uma refletância de 85% para o teto e 75% para as paredes, proporcionou ambientes mais claros, bem como a escolha da cor e material do piso, que por sua vez, possuem uma refletância de 34%. Também foram instalados coletores solares com um boiler (aquecedor de água de acumulação) de 400L para a água quente dos chuveiros. O projeto conta ainda com de oito placas fotovoltaicas como fonte alternativa de energia, capazes de gerar 304 KWh/mês.

 

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Painel fotovoltaico instalado, com Pico do Ibituruna ao fundo


Em relação ao consumo de água, o empreendimento consegue reduzir até 74%, adotando louças e metais de baixa vazão e um sistema de irrigação automatizado, 100% por gotejamento. Para a elaboração do projeto paisagístico, foram escolhidas espécies vegetais adaptadas às condições locais em que foram inseridas, que exigem poucos cuidados tanto no consumo de água, quanto na baixa manutenção diária.

“Através de um sistema dotado de cinco hidrômetros, há o monitoramento do consumo de água setorizado, promovendo uma análise mais detalhada. É possível saber o consumo de água quente, potável, de vaso sanitário, de irrigação e água de chuva”, explicam os sócios.

 

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Detalhe da irrigação feita por gotejamento, o que auxilia na redução do consumo de água

 

Embora não haja uma legislação local que determine a porcentagem de área permeável que cada obra deve possuir, o projeto definiu sua permeabilidade sendo 30% do terreno. Além disso, para evitar a ocorrência do efeito de ilha de calor, 79% da área do terreno possui superfície com baixo potencial de absorção de calor e aquecimento.

 

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Sala de reuniões com ventilação cruzada e bandejas de luz para iluminação natural

 

Os materiais utilizados no projeto foram os mais diversos. O piso da área interna seca, por exemplo, composto por 97% de matérias primas naturais, dos quais 70% é rapidamente renovável e 43% de conteúdo reciclável, é do tipo Linóleo, fabricado pela Forbo. Já os rodapés são feitos 100% com isopor reciclado, de fabricação da Santa Luzia, e os brises externos das janelas são de madeira plástica, da Ecoblock.

 

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A cobertura verde, além de reduzir a temperatura, funciona como horta urbana

 

Desta forma, de acordo com os sócios do escritório, durante a obra 94% dos resíduos foram reutilizados ou reciclados. “Houve a preocupação de evitar que materiais particulados fossem levados para redes pluviais públicas, contribuindo para o impacto ambiental de assoreamento dos rios. Por isso, um procedimento específico foi adotado para controle de erosão e sedimentação”, eles esclarecem, comentando que foi gerado um volume de resíduos equivalente a 13 caçambas de 5 metros cúbicos e apenas uma foi destinada para o aterro sanitário.

O projeto foi concebido ainda com infraestrutura para incentivar o uso de bicicletas, seja por usuários, colaboradores ou frequentadores da edificação. Além dos bicicletários dentro e fora da edificação, há um vestiário disponível para uso.

 

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Na entrada do edifício, um bicicletário estimula os frequentadores a usar um transporte alternativo

 

Certificação de construção sustentável


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A certificação internacional LEED, cujo órgão responsável pela emissão é a ONG americana USGBC (U.S. Green Building Council) ou, no Brasil, o GBC Brasil, é a mais difundida no mundo quando se trata de conceitos sustentáveis para a construção, sendo utilizada em mais de 143 países.  

Em 2014 o USGBC lançou uma nova versão do LEED, denominada v4. Com relação à versão atual, v2009, o v4 possui requisitos de sustentabilidade mais rigorosos, fazendo com que os impactos ambientais e sociais associados às construções sejam menores, quando comparados com v2009.

Para conseguir certificar um projeto este deve atender aos requisitos de sustentabilidade, organizados em 9 categorias – que possuem pré-requisitos (obrigatórios) e créditos, que são recomendações que quando atendidas garantem pontos. Uma edificação conquista a certificação LEED quando alcança 40 pontos. A pontuação determinará o nível de sustentabilidade, ou o nível de certificação, que é definido entre Certified (Básico), Silver, Gold e Platinum.

Diante de todas as soluções empregadas no projeto do escritório LarVerdeLar, o empreendimento obteve o certificado LEED v4 BD+C nível Gold, com o somatório de 60 pontos alcançados pelo cumprimento de requisitos de sustentabilidade, tornando-se o primeiro edifício do interior do estado de Minas Gerais com esta versão mais atual do selo.

“A meta inicial era alcançar o nível básico da certificação, mas graças ao ótimo desempenho energético conseguimos conquistar no nível Gold. A ideia de se utilizar o LEED foi provar que pequenos projetos – fora do eixo Rio-São Paulo – com soluções simples podem se tornar edifícios verdadeiramente sustentáveis. Diferentemente das grandes torres empresariais cheias de tecnologias, que compõem a maior parte dos empreendimentos LEED no Brasil”, avaliam Bruna, Micheli e Vitor.

A expectativa dos sócios é que este empreendimento inspire outras construções, de quaisquer dimensões, a seguir os mesmos passos. “A sustentabilidade agrega valor de mercado e pode gerar novos negócios associados à construção, além de contribuir para preservação do meio ambiente e saúde das pessoas ”, completam.

 

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FICHA TÉCNICA
Espaço LarVerdeLar
Local: Governador Valadares,  MG
Data do projeto: maio de 2014

Data da conclusão da obra: janeiro de 2017
Área do terreno: 204 m²
Área construída: 189 m²


Arquitetura e interiores: Bruna Tosetto e Marco Carvalho
Paisagismo: Diego Spreng
Luminotécnica: Renata Carvalho
Acústica: Bruna Tosetto
Estrutura e fundações: Methuselá Paiva
Elétrica: Celeste Oliveira e Rhuan Oliveira
Hidráulica: Marco Carvalho

Gestão de Projetos: Micheli Gonçalves

Gestão de Obra: Bárbara Batista

Gestão de Sustentabilidade da Obra: Micheli Gonçalves e Vitor Tosetto

Consultoria LEED: Vitor Tosetto

Simulação Termoenergética: Arthur Cursino

Comissionamento: Alexandre Lara

 

FORNECEDORES
Brises: Ecoblock

Cobertura vegetal: Instituto Cidade Jardim

Concreto: Concretomix

Cortinas e persianas: Cortinas Evelin

Equipamentos de segurança: Fort Segurança

Esquadrias, janelas e vidros: Superbox

Estrutura e fachadas: Fabricação in loco

Forros: Claudinei Forros

Impermeabilização: Edgar Impermeabilizações

Lâmpadas e luminárias: Evollux

Mobiliário: Confeccionado por Diamantina Móveis e mdf da Masisa

Pisos: Linóleo, da Forbo

Portas: Madereira Ouro Verde

Sistema construtivo: Convencional com blocos de concreto celular

Tintas: Suvinil

 

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