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Projeto emprega soluções e materiais que garantem sustentabilidade

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O pavilhão eleva-se sutilmente do solo, acompanhando os declives do terreno

O projeto da Casa da Sustentabilidade conta com brises, pórticos metálicos, ventilação cruzada, além de privilegiar iluminação natural

A prefeitura de Campinas, interior paulista, e o Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento de São Paulo (IAB-SP), promoveram um concurso nacional de arquitetura cujo objetivo era desenvolver o projeto de um pavilhão público de uso institucional e cultural, a ser construído no Parque Taquaral, daquela mesma cidade. Uma das premissas do certame era uma edificação paradigmática, que fosse vitrine de soluções e práticas sustentáveis e tivesse ainda um caráter didático para os visitantes.

Batizado como Casa da Sustentabilidade, o projeto vencedor foi desenvolvido pelo jovem escritório paulistano Hiperstudio, junto ao arquiteto Marcus Rosa, e traduziu o significado social, ambiental e humano do conceito do concurso. “A proposta procura explorar a questão da sustentabilidade de maneira a transcender o seu significado mais comumente associado à arquitetura, ou seja, apenas um conjunto de procedimentos e mecanismos tecnológicos ocultos por trás das paredes”, declaram os arquitetos Matheus Marques e Ricardo Gonçalves, sócios do escritório.

 

 

E complementam: “Mais do que isso, o projeto pretende resgatar a dimensão humana intrínseca à sustentabilidade, focada nas experiências do usuário, em algo que ele possa sentir e vivenciar, e por consequência, repensar sobre o seu papel e sua maneira de se relacionar com o meio ambiente”.

As exigências programáticas incluíam uma nova sede administrativa do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), vinculado à Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas, uma área para convenções e reuniões e um auditório multiuso para palestras, eventos e plenários.

 

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O empreendimento contará com área para convenções e reuniões e um auditório multiuso

 

Para tanto, a proposta foi organizada em três blocos principais, dispostos linearmente ao longo do alpendre conector de maneira ritmada, conformando pátios intermediários que marcam a transição entre os diferentes usos.

O programa exigia ainda um espaço de exposições aberto ao público, além de possibilitar que os usuários pudessem visitar didaticamente o edifício como um todo. Na área externa do projeto, foi previsto uma praça de soluções sustentáveis e jardins que reforçassem a vocação do pavilhão.

Sutilmente elevado do solo, o pavilhão proposto pelos autores concentra as atividades exigidas pelo programa e acompanha a leve declividade do terreno. A cobertura, na qual é possível passear na altura da copa das árvores, se eleva em direção a um mirante – para contemplar a paisagem do parque no qual estará inserido – e o piso se declina para acompanhar o desnível natural e acomodar o auditório, culminando no grande alpendre de acesso e exposições.

 

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Na cobertura, um mirante na altura da copa das árvores proporciona a vista do Parque Taquaral

 

Sustentabilidade

De acordo com Marques e Gonçalves, a discussão sobre o tema, como a preocupação com a eficiência térmica dos edifícios sempre esteve presente. “No entanto, atualmente dispomos de ferramentas e tecnologias que nos permitem simular com mais precisão a performance dos projetos ainda em fase de concepção, influenciando diretamente no desenho e no processo criativo”, eles contam.

 

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Implantação do projeto

 

“Acreditamos que uma arquitetura verdadeiramente sustentável se desenvolve com essa preocupação desde o primeiro traço, na implantação do edifício e durante todo o desenvolvimento”, afirmam os arquitetos do Hiperstudio, revelando que todos os sistemas de economia energética, tecnologias e materiais, e selos de certificação são essenciais, porém não são suficientes se aplicados posteriormente em projetos que nasceram com um raciocínio convencional que não contemple a performance do edifício desde a criação.

Ainda segundo os autores, a finalidade principal das estratégias de sustentabilidade de um empreendimento é a de oferecer condições ótimas de conforto ambiental térmico para seus usuários através do menor consumo possível de recursos energéticos. Para atingir este objetivo, é necessário aferir de maneira apropriada quais são as condições de conforto desejadas, em termos de temperatura, umidade, luminosidade, entre outros aspectos, e quais serão os meios oferecidos pela arquitetura para propiciar tais condições.

 

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Planta e corte longitudinal do projeto

 

Soluções e materiais

A disposição linear dos ambientes no pavilhão garante ao projeto possibilidade de aberturas em ambas as fachadas de cada setor, proporcionando um cenário ideal de ventilação cruzada. Além disso, os pátios internos e o sutil destacamento do bloco em relação ao solo potencializam a ventilação que ocorre entre esses vãos, resultando em uma edificação arejada e visualmente permeável. Já os brises externos à fachada garantem a proteção solar adequada, sem prejudicar a iluminação natural.

 

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Ventilação cruzada e iluminação natural foram soluções arquitetônicas adotadas no projeto

 

O projeto apresenta ainda uma ampla gama de soluções sustentáveis disponíveis, como produção de energia solar, reúso de água pluvial, tratamento de águas cinzas e esgoto e compostagem para produção de adubo. “Esse caráter paradigmático representa uma singularidade que poucas construções em nosso país têm o privilégio de experimentar e muito menos torná-la didática na compreensão do papel que uma construção pública possa fazer em benefício da sociedade e do meio ambiente”, avaliam Marques e Gonçalves.

O partido estrutural do pavilhão é composto por pórticos metálicos que vencem transversalmente vãos de 12,50 metros, espaçados em vãos de 6,25 metros. Elementos diagonais posicionados entre os pilares interligam e travam a estrutura, configurando um sistema leve e unificado. “Optou-se por uma estrutura essencialmente metálica devido a sua eficiência construtiva intrínseca: racionalidade, leveza e montagem rápida e limpa, evitando resíduos de obra ambientalmente nocivos”, detalham os arquitetos.

 

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Detalhes dos elementos sustentáveis integrados ao projeto

 

A estrutura é inteiramente modulada, garantindo um melhor aproveitamento e menor desperdício de todas as peças estruturais, assim como dos materiais de vedação e revestimentos. “As lajes são alveolares pré-moldadas, proporcionando maior esbeltes e agilidade no processo construtivo, evitando-se o uso de fôrmas, escoras e consequentemente gerando menos resíduos”, eles explicam, comentando ainda que os pilares metálicos apoiam-se em pequenas bases cilíndricas de concreto que tocam o solo, minimizando as possíveis interferências e garantindo uma maior clareza na distinção entre base e a malha estrutural elevada.

 

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Detalhamento em planta dos elementos sustentáveis

 

Além de vencer o concurso, a Casa da Sustentabilidade também já foi consagrada com o Prêmio Asbea 2016, em “Novos talentos: melhor projeto categoria institucional”, com o XIII Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa, como o “Melhor projeto categoria Green Building” e recentemente com o Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura Sustentável, em “Melhor projeto na categoria Institucional” e “Melhor Projeto da Edição”.

Atualmente, o projeto encontra-se em estágio de viabilidade e a prefeitura de Campinas está buscando parcerias e investidores para sua execução.

 

FICHA TÉCNICA

Local: Campinas, SP

Área terreno: 9.700 m²

Área construída: 1.500 m²

 

Autoria: Hiperstudio + Marcus Rosa

Equipe: Matheus Marques, Ricardo Gonçalves, Marcus Rosa

Consultoria de arquitetura bioclimática: Tássia Marques

 

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