sexta-feira , 15 dezembro 2017
TEM NEWS

A reciclagem de entulho e o empreendedor despreparado

Usina de reciclagem PROGUARU – Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos

Já escrevi aqui sobre o interesse de muita gente na reciclagem de resíduos da construção, o entulho.

Interesse oriundo da noção errônea sobre o negócio, ou seja, literalmente uma fábrica de dinheiro, simplesmente porque houve um entendimento frugal do processo e do mercado de resíduos da construção.

Veja como se dá o interesse das pessoas no negócio da reciclagem: se eu cobro para receber o entulho e ainda vendo o material (agregado reciclado) para o mercado, está aí uma condição que nenhum mercado proporciona.

A vontade do empreendedor chega a cegá-lo, por não acreditar que nada poderia ser diferente do que ele pensa.

É até curioso, porque ainda em 2016 o jornal O Estado de São Paulo veiculou uma matéria sobre o negócio da reciclagem de entulho. O título era intrigante: “Empresários lucram com as sobras da construção civil”. O jornalista só vê a parte de cima do iceberg, não enxerga o negócio como um todo e transcreve uma matéria sobre o mercado de RCD totalmente desproporcional e muito distante da realidade.

Pois bem, o jornalista passa uma mensagem, o leitor entende outra coisa e como resultado temos um empresário disposto a investir na reciclagem de entulho sem preparo e condição.

Obviamente não é apenas a matéria jornalística que o incentiva a entrar no ramo, mas um monte de informação em sites de fornecedores de britadores, conversas com autoridades locais e um trabalho mínimo de visitas técnicas.

Nessa toada, já testemunhei empresários “queimarem” milhões com o negócio da reciclagem em questões de meses. Há ainda muitos que sequer conseguem pagar o investimento. Existem aqueles que empreendem apoiados num parceiro político, algo extremamente arriscado, visto que a dependência de uma figura política é limitada.

 

PROGUARU

 

Recebo inúmeros e-mails e mensagens de gente querendo vender suas instalações para sair do ramo, por não aguentarem tantos problemas.

O sonho é um sonho e papel aceita tudo.

Quando recebo esses empresários, na maioria das vezes dá vontade de chorar. É triste ver a ausência de planejamento e preparo das pessoas.

Depois de muita conversa, sou convencido de que o empreendimento é viável, mas ainda assim, desconfiado do prazo de implementação do projeto.

Uma promessa rotineira que fazem pra mim: “em no máximo 6 meses eu monto a minha usina”.

Nunca, na história do Brasil, houve uma usina que tenha montado sua estrutura em menos de um ano.

Diante disso, concluo o seguinte: o investidor dessa área é sonhador, visionário e despreparado.

Não conhece o negócio a fundo e empreende por paixão à ideia.

 

Autor

Levi Torres, Graduado em administração em São Paulo, foi presidente da empresa júnior Radial. Liderou por dois anos a associação do setor de reciclagem de óleos e gorduras vegetais e produção de biodiesel. Em outubro de 2010, idealizou e foi um dos responsáveis pela fundação da ABRECON – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, a qual é coordenador, participando ativamente de comitês e grupos de trabalho que defendem o interesse do segmento de RCD. É o atual secretário do CB-18 – Comitê Brasileiro para revisão da norma técnica da ABNT para aplicação de agregado reciclado.

 

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