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Reciclagem de pneus é a saída para uma pavimentação sustentável

Reciclagem
asphaltinc.com

Alternativa para a destinação correta de pneus inservíveis, reciclagem é protagonista quando o assunto é sustentabilidade na pavimentação

Se para você, veículos e transporte são a principal – senão a única – relação entre pneu e pavimento, após conhecer a reciclagem de pneus seus conceitos mudarão! Isso porque ela é responsável por dar origem ao chamado asfalto-borracha, um subproduto nascido do destino ambiental e economicamente adequado de pneus inservíveis, ou seja, aqueles que a vida útil chegou ao fim. E é a partir dele que a pavimentação de ruas e rodovias torna-se mais sustentável, resistente, segura e eficaz.

Considerando que somente no terceiro trimestre de 2016 foram produzidos 17,5 milhões de pneumáticos no Brasil e que mil deles são capazes de asfaltar até 1km de vias, fica fácil fechar a conta e entender que para o aumento da reciclagem falta “apenas” superar dois de seus principais desafios: a falta de incentivos governamentais e de uma política pública para a utilização do asfalto-borracha. Apesar disso, desde o ano 2000, quando a tecnologia aqui chegou, o cenário tem mudado e hoje já são quase 500 mil quilômetros com ela pavimentados.

 

Reciclagem
César Faccio, gerente da Reciclanip – Divulgação

Seus benefícios, superiores quando comparados à pavimentação asfáltica convencional, têm levado empresas nacionais, sobretudo concessionárias de rodovias privadas, a adotarem asfaltos provenientes da reciclagem de pneus. Segundo César Faccio, gerente da Reciclanip, iniciativa criada pelo setor para cuidar da coleta e destinação de pneumáticos inservíveis em todo o país, o asfalto modificado com borracha tem características técnicas que reduzem os custos com manutenção, os ruídos, o espaço de frenagem e o rumor de rolamento.

 

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Milton Favaro Junior – Divulgação

Milton Favaro Junior, diretor executivo da ABIDIP – Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus, divide a mesma opinião e acrescenta: “com a reciclagem é possível melhorar os índices físicos dos ligantes asfálticos comuns, deixando-os mais resistentes à pavimentação e dando-lhes maior vida útil”. Junior também explica que, com o asfalto-borracha, deixa-se de importar polímeros não fabricados no mercado interno, mais caros por sua cotação em dólar e sujeitos a variações cambiais.

 

Processos de reciclagem do pneu

Reciclagem
OZ Capital Group

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Reciclagem
Eng° José Carlos Massaranduba, da Greca Asfaltos

A reciclagem de pneumáticos para produção de asfalto consiste basicamente na adição de pó de borracha à massa asfáltica. Para que isso ocorra, três etapas são fundamentais, de acordo com a explicação do engenheiro José Carlos M. Massaranduba, diretor técnico do Grupo Greca Asfaltos, pioneiro na fabricação de asfalto-borracha no Brasil, e de Joel Custódio, da Strasse, empresa de reciclagem de pneus que recupera e fornece a matéria-prima. São elas:

 

Coleta: Os pneumáticos inservíveis são recolhidos em sistemas de pontos de coleta seletiva móveis ou lojistas fixos, que acomodam esse resíduo em ambiente fechado. Tal prática é igualmente ecológica, já que evita a exposição do material em locais abertos e que promoveriam a proliferação de mosquitos transmissores de graves doenças ou mesmo enchentes com sua exposição inadequada.

 

Transformação em chip de pneus: Nessa fase da reciclagem, seleciona-se o material nobre do pneu para produção do asfalto-borracha. Dele, saem os polímeros e demais componentes ricos quimicamente, tais como óleos e o carbono do petróleo, os quais enriquecem ainda mais a modificação dos cimentos asfálticos de petróleo (CAP). O que sobra é incinerado para alimentar os fornos de cimenteiras.

 

Produção do pó de borracha: O chip de pneus é transformado em pó por meio de processo automatizado, o que garante o maior controle da qualidade e agilidade na produção. Ou seja, na conversão dos asfaltos convencionais em asfaltos modificados pelo pó de borracha moído dos inservíveis, ricos também em agentes que seriam perdidos se simplesmente descartados, como polímeros e óleos, garantindo maior qualidade na pavimentação.

 

Conheça os processos na prática:

 

“Vale lembrar que com a incorporação de 15% do pó, em peso, economizamos outros 15% de asfaltos provenientes das refinarias brasileiras, sobrando ligante para produzir ainda mais áreas pavimentadas”, destacam os profissionais. Sobre a aplicação, ambos afirmam que o asfalto oriundo da reciclagem pneumática pode ser empregado em todas as rodovias, seja no processo de restauração de pistas já implantadas, seja em vias novas ou duplicadas, além de pátios de empresas, estacionamentos, aeroportos e pistas de competições automobilísticas.

 

Clique para ampliar:

Como anda o mercado de asfalto-borracha nacional?

Ao contrário dos Estados Unidos e Europa, que já utilizam este tipo de asfalto há mais de seis décadas, o Brasil iniciou o uso da tecnologia há menos de 20 anos, porém, não para de se desenvolver. Até hoje, tanto o incentivo à reciclagem de pneus, quanto o uso do asfalto-borracha têm crescido graças à forte atuação de entidades não governamentais e empresas privadas ligadas ao setor de pneumáticos.

 

Reciclagem
Mudanças nas licitações e a desoneração da cadeia de reciclagem tornariam o asfalto-borracha ainda mais aplicado – GRECA Asfaltos

 

A parceria da GRECA e Strasse, com apoio da ABIDIP, é um bom exemplo. Juntas, já garantiram a pavimentação de mais de 8 mil quilômetros de vias, o que significam 8,5 milhões de pneus inservíveis levados da natureza à reciclagem. Resultado: o asfalto-borracha ECOFLEX®, da GRECA, nascido após inúmeros testes e estudos no Centro de Excelência em Desenvolvimento de Pavimentos da UFRS, além de referências de centros de estudos norte-americanos e sul-africanos com adaptação do produto às condições brasileiras.

Outra entidade bastante representativa e que contribui com a reciclagem e obras de construção sustentáveis é a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), criadora do Reciclanip. O projeto, um dos maiores de responsabilidade pós-consumo, ajuda a consolidar o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis por meio de 800 pontos de coleta no Brasil. Atendendo a resolução 416/09 do CONAMA, já ajudou a dar um destino correto a mais de 3 milhões de toneladas do material descartado.

 

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A atuação da iniciativa visa a preservação da natureza, a qualidade de vida e o bem-estar da população

 

 

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