sexta-feira , 15 dezembro 2017
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Sim, chegamos. Aí está ele: 2017

Construção
Divulgação

Sim, chegamos. Aí está ele: 2017

Muitos dizem que 2016 foi um ano para ser esquecido, mas, levando em consideração os aspectos relacionados a gestão dos RCD [Resíduos da Construção e Demolição] no Brasil, temos muito a comemorar. Felizmente!

Por as cidades já estarem entrando em colapso pela escassez de espaço para o descarte de entulho, já há uma visão mais avançada sobre a gestão dos resíduos, bem como, a responsabilidade pela geração e, incrivelmente, a transferência de responsabilidade por parte da prefeitura para o gerador.

Por muitos anos, as prefeituras, sobretudo aquelas do interior, abarcavam a responsabilidade em disponibilizar um espaço para receber o entulho de caçambas privadas, algo impensável nos tempos de hoje. Aliás, por muito tempo, os caçambeiros se acostumaram com essa situação, hoje, criticam estratégias do poder local para regulamentar o setor de transporte de resíduos.

Me lembro de muitas cidades, capitais inclusive, colocarem a gestão dos resíduos na pauta, forçando o debate pela sociedade, seja na regulamentação do mercado de transporte de resíduos, seja no descarte desse material em locais públicos.

São Paulo, a maior cidade da América Latina, iniciou as discussões para organizar o mercado dos transportadores de entulho em 2014. É certo que o processo deverá ser continuado na nova gestão da cidade.

Dou como exemplo a cidade de São Paulo, pois, o que acontece aqui, é mostrado e apresentado para o mundo.

Apesar do momento turbulento da economia com resultados dramáticos para a construção civil, nunca empresas de sistemas eletrônicos venderam tanto para cidades e usinas de reciclagem de entulho. Isto leva a crer que há uma maior sensibilização por parte das cidades no controle dos resíduos.

Por outro lado, empresas fornecedoras de equipamentos para triagem e britagem de resíduos da construção tem tido resultados bastante satisfatórios. A demanda por equipamentos dessa natureza teve um aumento expressivo nos últimos quatro anos se comparado com o período pré-Copa do Mundo.

Empresas brasileiras dominaram o conceito de recepção, triagem e britagem. Muitas oficinas e serralherias passaram a fornecer equipamentos para o setor da reciclagem de RCD aqui no Brasil e em diversos países da América do Sul. A tecnologia para tratamento dos resíduos da construção civil já é exportada graças a eficiências das máquinas e a valorização do produto se comparada aos equipamentos importados.

 

Construção
Foto: Paulo Grégio

 

Do setor público, é notável a preocupação de algumas cidades sobre o descarte irregular de entulho, muitas já com a conta certa que de que o entulho descartado de forma incorreta gera prejuízos de toda ordem, principalmente na área da saúde, com focos do mosquito transmissor da Dengue, Malária, Zika Vírus e tantos outros.

O entulho está sendo entendido como responsabilidade do gerador. Já é claro a noção de crime ambiental quando há descarte irregular, ainda que seja de forma aparentemente regular, em áreas de transbordo ou áreas temporárias.

O nosso esforço em sensibilizar a população sobre os benefícios do uso de matérias primas mais sustentáveis também já começa a ter resultados. O agregado reciclado, timidamente, já é usado nas principais obras de infraestrutura.

Outro fato que chama atenção nos canteiros de obras, com mais frequência atualmente, é a gestão dos resíduos da construção, a separação dos resíduos sólidos e o esmero em reduzir a quantidade de resíduos no processo construtivo, evidentemente pressionados por reduzir gastos com descarte de entulho, bem como, em valorizar seus resíduos.

Sim, estamos caminhando e evoluindo.

Nossos problemas continuam os mesmos: resistência cultural ao consumo do agregado reciclado e dificuldade em receber entulho ou fazer com que o gerador descarte o entulho corretamente. Porém, penso que a nossa peleja esteja sendo, amiúde, recompensada. Por mais que o nosso trabalho de mobilizar as pessoas para a causa possa parecer pequeno, os resultados irão aparecer a longo prazo.

Tivemos um ano bom em virtude de um trabalho virtuoso em anos anteriores. E assim será em 2018 em diante.

Teremos um ambiente de negócio mais promissor no futuro, muito pelo trabalho desenvolvido hoje.

Então, vamos à luta. Vamos juntos para 2017.

 

Me segue lá no Instagram: @abrecon_brasil

Autor

Levi Torres, Graduado em administração em São Paulo, foi presidente da empresa júnior Radial. Liderou por dois anos a associação do setor de reciclagem de óleos e gorduras vegetais e produção de biodiesel. Em outubro de 2010, idealizou e foi um dos responsáveis pela fundação da ABRECON – Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, a qual é coordenador, participando ativamente de comitês e grupos de trabalho que defendem o interesse do segmento de RCD. É o atual secretário do CB-18 – Comitê Brasileiro para revisão da norma técnica da ABNT para aplicação de agregado reciclado.

 

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